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76% dos maceioenses não dispõem de cobertura de saneamento básico

Por Imprensa (sábado, 8/01/2011)
Atualizado em 8 de janeiro de 2011

Dados mostram que apenas 15% do Estado conta com coleta de esgoto


 


Banco Mundial aprova empréstimo a projeto de gestão de água no Brasil
Instituição disponibilizou US$ 107,4 milhões ao governo federal. Verba será para melhorias em saneamento e distribuição de água potável Dados da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram) revelam que a cobertura de saneamento básico em Maceió ainda é pequena. Os índices oficiais mostram que a capital tem uma rede coletora de esgoto que atende a apenas 24% da população. No Estado, esse número é ainda menor, pois apenas 15% dos alagoanos são assistidos por um sistema coletor de esgoto eficiente.


Em Maceió, o resultado da baixa rede de cobertura de saneamento básico pode ser comprovado nas praias de Pajuçara, Ponta Verde e Cruz das Almas. Ao longo da orla, a reportagem da Gazetaweb encontrou “línguas-negras” – água poluída geralmente oriunda de esgoto de residências e pontos comerciais lançada ao mar – em diferentes pontos da praia, uma localizada atrás da Balança de Peixe do bairro de Ponta Verde.


As lagoas e os riachos que banham Maceió também estão poluídos por causa da baixa cobertura de saneamento básico. O Canal do Dique Estrada, no Vergel, é um deles. O córrego deságua na Lagoa Mundaú e, nos períodos chuvosos, transborda e alaga as ruas próximas ao canal com esgotos sanitários.


O Riacho do Silva, em Bebedouro, é outro local poluído. O leito do riacho está repleto de mato e é usado como lixeiro pelos moradores do bairro e até por comerciantes da Rua Cônego Costa Rêgo. O dono do Açougue 2 Irmãos, José Gomes, de 42 anos, diz que outros bairros como Bomba do Gonzaga e Chã do Bebedouro também costumam jogar lixo nas águas do Riacho do Silva.


“Esse riacho, há mais de 10 anos, está poluído e cheio de mato. Quando chove forte fica impossível de transitar porque alaga e a água invade casas e lojas. O meu açougue fica fechado quando acontecem os alagamentos. Eu instalei suportes embaixo dos equipamentos para levantá-los, para não molhar e quebrar”, diz José Gomes.


O canal do Riacho Salgadinho, em Maceió, é famoso pela poluição. O riacho tem sua foz na Praia da Avenida, no bairro Jaraguá. A praia que , foi a principal de Maceió, agora é motivo de vergonha. Resultado da poluição causada pelo lixo que vem do Riacho Salgadinho.


 


OPERAÇÕES DE LIMPEZA NÃO SÃO SUFICIENTES


O diretor de operações da Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), Pablo Ângelo, diz que há dois anos o órgão começou os trabalhos de limpeza de canais e riachos. Segundo el, nesse ano, a equipe da Slum retirou do Salgadinho 200 toneladas de lixo.


Segundo o professor Márcio Barbosa, a falta de saneamento básico também está presente nos bairros da parte alta de Maceió. Barbosa cita a estação de tratamento de esgoto do conjunto Benedito Bentes, apelidada pela população de “Bostão”.


“A estação de tratamento de esgoto foi construída na década de 80 e atualmente não consegue atender a demanda da população do conjunto. O resultado é um mau cheiro e doenças para as famílias que moram próximo”, explica.


Barbosa revela que até os condomínios de luxo do bairro do Tabuleiro dos Martins, como por exemplo o Aldebran, San Nicolas e Jardim do Horto, nenhum trata o esgoto que é jogado fora. Barbosa diz ainda que a poluição é agravada por causa das ligações clandestinas dos esgotos domésticos nos canais e galerias pluviais.


SITUAÇÃO É MAIS GRAVE NO INTERIOR DE ALAGOAS


Quando perguntado sobre saneamento básico nos municípios do interior de Alagoas, Márcio Barbosa ri com ironia e responde que o quadro é pior porque muitas cidades não têm uma estação de tratamento de esgoto. Outros municípios estão começaram a construção da estação de tratamento de esgoto e desde 2001 não terminaram, como Murici, Messias, União dos Palmares e Cajueiro.


O saneamento básico reúne os sistemas de abastecimento de água potável, a coleta e tratamento de esgotos e a drenagem de água e esgoto. Márcio Barbosa lembra que Maceió está bem servido de galerias pluviais, mas destaca que é obrigação do governo disponibilizar um sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto que atenda toda população.


 


AMPLIAÇÃO DO SISTEMA DE SANEAMENTO BÁSICO


Sobre as precárias condições de saneamento básico na capital e no Estado, a Secretaria de Estado da Infraestrutura de Alagoas (Seinfra) responde que sabe do problema. Segundo a Seinfra, isto é resultado de décadas sem investimentos.


O secretário Marco Fireman explica que as obras de saneamento básico para Alagoas são caras e dependem da ajuda de verba Federal para serem concluídas.


Segundo os números divulgados pela Seinfra, para ampliar e melhorar o sistema de saneamento básico tanto na capital quanto no interior foram gastos 800 milhões de reais para o abastecimento de água. Enquanto outros 80 milhões de reais foram investidos na rede de tratamento de esgoto sanitário de Maceió.


De acordo com a Seinfra, a meta é aumentar a rede de esgoto de Maceió de 24% para 60%, até 2014, e no Estado de 15% para 30%. A Seinfra responde que está tentando garantir recursos para obras de saneamento nos municípios sertanejos, da região Sul e às margens do Rio São Francisco.


 


 ANTIGO LIXÃO E CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS


Há mais de dois anos que o antigo depósito de lixo de Maceió instalado no bairro de Cruz das Almas está desativado. Agora, toda sujidade produzida pelos maceioenses segue para o aterro sanitário inaugurado pouco mais de um ano no conjunto Benedito Bentes 2. A mudança atende as determinações da Lei Federal de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que prevê a extinção dos lixões até 2014.


O diretor de operações da SLUM, Pablo Ângelo, explica que o aterro sanitário do Benedito Bentes é um projeto de engenharia para cuidar do lixo em todas as suas fases, desde as podas das árvores até o chorume. “Com o crescimento da população, as famílias de catadores de lixo e a poluição ambiental a prefeitura assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público Federal (MPF) que escolheu o Benedito Bentes como local para abrigar o aterro”, diz o diretor da SLUM.


O aterro do Benedito Bentes está sob o comando da empresa terceirizada V2 Ambiental. No local do antigo Lixão, a prefeitura planeja a construção de um mirante. Segundo o professor da Ufal e membro do Cepram, Márcio Barbosa, devido à grande concentração de gás metano e chorume no terreno o local a construção de uma habitação se torna algo perigoso e um mirante é medida mais acessível para o reaproveitamento do terreno.


Segundo Barbosa, anos de agressão ao meio-ambiente por conta do lixão serviram de experiência e agora servem de exemplo para o projeto de construção de um aterro sanitário batizado de Central de Tratamento de Resíduos (CTR) no município de Pilar. O projeto foi discutido na última terça-feira (26) durante reunião entre o governador, secretários estaduais e representantes da empresa URCD.


O projeto avaliado está avaliado em R$ 42 milhões de reais, a previsão é de que crie 250 postos de trabalho e o empreendimento ficará responsável por tratar 2/3 lixo produzido no Estado beneficiando 28 municípios das zonas Metropolitana e do Agreste, além de receber lixos hospitalares e industriais de até outros Estados vizinhos a Alagoas. O que preocupa os ambientalistas é que a CTR é uma obra vizinha a uma área de preservação ambiental da Mata Atlântica.


  Gazetaweb – Lázaro Calheiros

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