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"Manipulação do número de violência não resolve, investimento sim", revela Sindpol

Por Imprensa (terça-feira, 30/11/2010)
Atualizado em 30 de novembro de 2010

Veja matéria completa publicada no jornal Extra

O fato do jornal Extra, edição de nº 52, período de 19 a 25 de novembro, trazer em sua manchete a manipulação de números da violência em Alagoas, infelizmente, não deixa o Sindpol estarrecido, pois, no ano passado, ocorreu fato idêntico denunciado pelo próprio sindicato, mas as autoridades, que fiscalizam as atuações das polícias, não deram a devida atenção que o caso requeria na época. Pode ser que agora sendo feito a denúncia por um jornal, que possui credibilidade, essas autoridades agora possam dar a devida atenção.


Para o Sindpol, a denúncia do jornal Extra é de uma gravidade brutal. “Pois quando se manipula os números sobre a violência do Estado, estão manipulando o número de vidas ceifadas pela violência. É descaso e é tornar em números o sangue que está sendo derramado todos os dias, visto que este posicionamento só contribui para o aumento da mesma violência, uma vez, que a realidade não é posta na mesa, jamais será mudada. É assim que eles querem? Não seria o contrário, detectar as causas e combater com a verdade os seus efeitos. O governo que leva a sério a segurança pública não manipula número, não trata servidores da segurança como escravos, negando-lhes inclusive o direito de falar, de dizer que assina ponto e não recebe horas-extras, que o seu salário não lhe dá segurança para combater o alto índice de homicídios do Estado, e de se orgulhar da profissão que exerce”, opina o diretor Financeiro do Sindpol, Antonio Zacarias.


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Defesa Social manipula dados sobre violência em Alagoas
Mário Jorge Marinho, diretor da polícia civil, exigiu que delegados parassem de contabilizar crimes cometidos em 2010


Da redação do Extra


O diretor da Polícia Judiciária Metropolitana, Mário Jorge Marinho Silva, exigiu que todos os delegados de Maceió fechassem a contabilidade dos crimes em suas delegacias. Os números entregues pelos delegados da Polícia Civil serão utilizados para criação do relatório anual da violência no Estado. O problema é os dados só foram contabilizados até o começo de novembro, cerca dois meses antes do fim do ano.


Próximo do término do mandato, a cúpula da Secretaria de Estado da Defesa Social (SEDS) parece que deu um jeitinho de minimizar os crescentes números da violência no estado. No intuito de fechar o ano de forma menos vergonhosa, todas as delegacias da capital foram obrigadas a entregar dados incompletos sobre os crimes cometidos durante 2010. Um documento similar também foi enviado para as DPJ 1, 2 e 3, localizadas no interior do estado.


No ofício, o delegado Mário Jorge Marinho pede que os dados sejam entregues até o dia 10 de novembro. De acordo com o documento, o delegado que se recusar a cumprir a determinação, mesmo que envie dados mais atualizados e corretos, deverá ser penalizado.


“Com essa exigência, eles estão tentando fechar o ano com números inferiores ao real. A intenção é tentar fazer a população acreditar que essa vinda do delegado Paulo Rubim não foi um fracasso total”, afirma um membro da segurança pública que não quis se identificar para evitar represálias. “Mas acontece que a população está sofrendo com esses crimes. O povo não quer saber de números porque o povo é alvo desses crimes, o povo sabe como realmente está a segurança no nosso estado”.


A omissão dos dados reais teve início no site oficial da SEDS. O último demonstrativo com os números da violência em Alagoas foi divulgado em fevereiro. Desde então, os dados têm sido ocultados para os visitantes do portal. Vale lembrar que durante esse período a política esquentou em Alagoas, com vistas às eleições de outubro, o que reforça a ideia de manipulação com fins políticos.


O espúrio documento foi entregue em meio ao escândalo da morte dos moradores de rua em Maceió. “O problema é que a violência de Alagoas agora é assunto da mídia nacional. Já saiu na Folha de São Paulo e até mesmo no Fantástico. Eles sabem que a casa está caindo”, declarou o funcionário. Os 32 assassinatos de moradores de rua revelam a falta de estrutura e desleixo da Polícia Civil na solução dos crimes acontecidos no estado. A própria cúpula da Defesa Social diz que os crimes foram ocasionados pela guerra do tráfico, tentando tirar de foco a ineficácia da polícia alagoana. “O interesse deles é na estatística, é mídia. Segurança de verdade é segundo plano”, sentenciou.


Em 2009, um artifício semelhante foi utilizado pela cúpula da segurança pública. A prova é que a SEDS divulgou que em 2009 teria acontecido 1.998 homicídios. Entretanto, o Instituto Médico Legal elaborou um relatório que apresentava quase 2.300 mortos pela violência em Alagoas. A margem de cerca de 300 assassinatos não contabilizados pelo governo estadual aumenta em 15% o número de homicídios no estado. “Estão tentando fazer a mesma coisa que fizeram no ano passado. É manipulação de dados. É uma fraude descarada”, finalizou o funcionário público.

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