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Moradores são expulsos para casas servirem ao tráfico

Por Imprensa (terça-feira, 8/03/2011)
Atualizado em 8 de março de 2011

Polícia investiga casos de expulsões de moradores por traficantes
 
Polícia investiga casos de expulsões de moradores por traficantesUma série de denúncias via e-mail sobre a violência levou a reportagem do Tudo na Hora ao conjunto Paulo Bandeira, no complexo do Benedito Bentes, onde na semana passada a Polícia Militar ocupou o conjunto Carminha para combater o domínio do tráfico na comunidade, que assistiu a dois violentos assassinatos nos últimos dias. As denúncias encaminhadas à redação falavam de uma onda de arrombamentos e invasões de casas de moradores do local.


No conjunto Paulo Bandeira, o que impera é a lei do silêncio. Quem aceita falar só faz uma exigência: não quer ter seu nome revelado por medo de retaliações. São histórias de medo que vão desde ameaças de morte até casos de famílias que foram expulsas de casa para que traficantes pudessem instalar pontos de venda de drogas no local.


A principal denúncia é de casos de arrombamento de residências. Como a maioria das casas são construídas com portas de madeira, os moradores afirmam que deixam de sair de casa à noite porque têm medo de encontrar a casa arrombada ao voltar. “Muita gente já está levantando os muros da casa para colocar cerca elétrica. É complicado se esforçar para comprar uma televisão ou um som e alguém levar”, disse uma moradora, que já foi vítima da violência e é uma das que estão construindo o muro de sua casa.


Um dos poucos comerciantes do conjunto, inaugurado há dois anos, aceitou falar com o Tudo na Hora, mas pediu o anonimato. Ele contou histórias de invasões de residências e de casos de expulsão de famílias por traficantes de drogas. “São vários casos e muitos deles não são conhecidos pela polícia, já que as vítimas são ameaçadas de morte e se falarem, a situação pode piorar ainda mais”, contou.


Mostrando a marca de uma cirurgia fruto de um tiro que levou durante um assalto, o comerciante afirmou que é difícil trabalhar na periferia sem fazer amizades com os chefes de tráfico. “Eu mesmo dou R$ 10 ou R$ 15 quando eles pedem uma ajuda. é uma forma até mesmo de garantir a segurança. Desde que mudei para esse novo ponto, nunca mais fui assaltado e devo isso ao fato de ter muitos amigos”, contou.


Quem não paga pelas amizades que garantem proteção, tem que se trancar atrás de grades. É o caso da dona de uma lanchonete e até mesmo de uma igreja do conjunto, que é toda gradeada.


Na base de policiamento comunitário instalada no Selma Bandeira, os policiais militares afirmam que já está havendo uma redução nos casos de violência no Paulo Bandeira. “Com a ampliação da base, estamos realizando rondas durante 24 horas no conjunto e, em breve, vamos iniciar o cadastramento de todos os moradores”, garantiu o sargento PM Caxinoar.


Na Delegacia do 21º Distrito Policial, o delegado Leonardo Assunção vem instaurando inquéritos para apurar os casos, inclusive o de expulsões de moradores por traficantes, conforme assegurou o chefe de operações da distrital, que preferiu não ter o nome revelado. “Todo caso que chega ao conhecimento da Polícia Civil é apurado. Mas houve uma redução de denúncias no Paulo Bandeira”, ressaltou.


 Sidney Tenório  – Tudo na Hora

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